Episódio 1 – O Começo, uma vida com Chico Xavier


Iniciamos hoje uma série de histórias reais da vida do médium Langerton Neves da Cunha, incansável trabalhador na seara espírita e médium receitista, com quem tivemos a felicidade de conviver e aprender a fitoterapia do lar por 12 anos.

Natural de Jubaí (MG), viveu a maior parte de sua vida em Peirópolis (MG), a terra dos dinossauros, quando para lá mudou-se ainda jovem para trabalhar como auxiliar nas escavações dos sítios paleontológicos daquele lugar. Ali, com muito esforço e sob orientação dos espíritos Eurípedes Barsanulfo e Emílio Luz, ergueu a Vila Cantinho Espírita numa chácara de sua propriedade, onde funcionava os seguintes departamentos: O Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, O Albergue Noturno Dr. Adolfo Bezerra de Menezes e Emílio Luz, O Internato Espírita Nosso Lar (para tratamento das distonias mentais por obsessão) e a farmácia de Homeopatia e Fitoterapia Frederico Peiró. Nesta Vila também estava a sua residência e assim, tomava conta de tudo com a ajuda de sua esposa, a Sra. Ana Santos da Cunha, e de suas duas filhas, Emília e Paula, recebendo a todos com amor e dedicação exemplificando à verdadeira caridade cristã.

Dividia o tempo entre as atividades de escavação paleontológicas (sua profissão), e as da Vila Cantinho Espírita. Era incansável nesta rotina que se estendeu por quarenta e dois anos, os quais lhe proporcionaram muitas alegrias e testemunhos de amor e fé.

Nesse período, vários fatos mediúnicos marcaram a sua existência.

Isso por si só constitui um valoroso destaque na vida dessa alma iluminada pelas claridades celestes, já que através de sua mediunidade (vidência, audiência, psicofonia, psicografia e efeitos físicos) também atendia a milhares de pessoas mensalmente com o receituário da fitoterapia.

Esta singular atividade aprendeu com os espíritos, bem como a manipulação de remédios à base de ervas medicinais que ele mesmo colhia e preparava. A direção espiritual deste trabalho era realizada pelo emérito médium Sacramentano Eurípedes Barsanulfo e com a assistência direta do Espírito Emílio Luz.

Muitas curas, sorrisos e lágrimas de gratidão foram compartilhadas sob a sombra acolhedora das árvores frondosas que se estendiam por todo o sítio, aliás, a natureza em Peirópolis, é um espetáculo à parte.

Mas há, ainda, algo que o tornou ainda mais especial: O fato de ter sido amigo e colaborador por mais de trinta anos do médium Francisco Cândido Xavier nas atividades desenvolvidas no Grupo Espírita da Prece. Essa amizade enriqueceu muito a vida do médium Langerton, cujas histórias nos propomos a contar nestas linhas.

Não seguiremos o sentido cronológico, apenas o sentido do coração. O nosso objetivo é deixar registrado uma série de fatos da vida desse emérito servidor de Jesus e difusor da Doutrina Espírita no Brasil e no mundo, já que manteve contato com vários companheiros de outros países como Holanda, Japão, Alemanha e Estados Unidos.

Pouco foi divulgado sobre essa grande amizade entre Langerton e Chico Xavier. Ela começou em 1959, quando nosso querido professor Langerton, aos 30 anos de idade sentia o peso da mediunidade aflorando. Em virtude disso, procurou a ajuda do médium Chico Xavier, recentemente instalado em Uberaba e foi acolhido imediatamente como se fossem velhos amigos que se reencontravam.

Após o equilíbrio das faculdades mediúnicas foi convidado pelo Chico para trabalhar com ele no Grupo Espírita da Prece.

A tarefa que Chico deu ao Langerton era aparentemente simples, mas guardava um caráter missionário dos mais relevantes. Era da responsabilidade de Langerton, manter organizado o Grupo espírita para as atividades de sexta e sábado. Tinha entre muitas atribuições zelar pelo espaço físico do grupo (interno e externo), mantendo-o organizado para os dias de atividade. Quando Chico chegava, tudo estava pronto. Além desta atividade o médium Langerton ganhou outra tarefa de considerável importância: a de “organizar” o fluxo de pessoas na sala de atividades das reuniões públicas. O Sr. Langerton exerceu essas tarefas por trinta anos sem nunca faltar, o que dizia com muito orgulho.

O termo de responsabilidade.

Disse-nos ele, que quando o Chico o chamou para trabalhar escreveu o nome dele no livro de trabalhadores da casa. Um termo de compromisso espiritual.

Nesse momento, ele foi bem claro: Langerton, o trabalho com os espíritos é de grande responsabilidade, não se falta por qualquer motivo. O termo foi assinado!

A distância de Peirópolis (casa de Langerton) à Uberaba era de 21 km e esse trecho por muitos anos ele percorreu a cavalo, já que a modesta vida que levava, não lhe dava condições de ter um automóvel.

A viagem, com chuva ou sol, levava até seis horas. Só depois de muitos anos, conseguiu adquirir um carro velho para a sua viagem, facilitando o cumprimento do seu dever.

A confiança do Chico em Langerton era total. Ele sempre estava solícito e compenetrado, auxiliando a todos que podiam caber naquela sala, grande em relevância espiritual, pequena para a multidão que espreitava de todos os lados. Chico Xavier era incansável em seu mediunato e presidia as reuniões madrugada à dentro.

Nosso encontro com Langerton e Chico Xavier no Grupo Espírita da Prece, em 1988

Algumas vezes em que estivemos na cidade do Chico, pudemos testemunhar a dedicação de Langerton. Em 1988, tivemos a oportunidade ímpar de estar presente no dia em que Chico compareceu para as atividades.

Naquela época, o médium já sentia o peso dos quase oitenta anos e várias complicações de saúde devido a vida de sacrifícios a que se submeteu desde a sua infância. Caminhava devagar e sempre amparado por amigos íntimos.

Fazia seis meses que o grupo espírita não o via. Sabíamos que seria quase impossível vê-lo, mas para lá nos dirigimos, em passagem por Uberaba, com uma estranha intuição.

Estávamos no pátio admirando e sonhando com a história daquele lugar quando derepente um alvoroço na porta nos dizia que só poderia ser a vinda do Chico e de fato era ele realmente. Quase nem acreditamos e eufórico choramos de alegria. Finalmente encontraria o médium Francisco Cândido Xavier.

Langerton, que já nos conhecia quando de sua visita à cidade de Jacupiranga para atividades fitoterápicas, colocou-nos sentado bem pertinho do Chico… Foi difícil conter a emoção. Ali ficamos por muitas horas em preçes, diante daquele que mais tarde por uma emissora de televisão seria eleito o “o maior brasileiro de todos os tempos: Chico Xavier.

Como um guardião, Langerton ficava em pé na porta do começo da reunião até o final, até o Chico sair. Nesse dia, em especial, o Chico estava disposto, psicografou mensagens, brincou e contou muitos “causos”. A noite encerrou com o Chico indo embora à1h da madrugada…

O médium de Peirópolis a tudo acompanhava atento, quem entrava, quem saía, quem ficava naquele santuário…

No próximo capítulo, contaremos como foi que o Chico parou de receitar remédios entregando ao Langerton esta parcela da sua missão espiritual…

Uma amizade construída na base da Fidelidade e da confiança com raízes fincadas em reencarnações pregressas!…

Muita paz a todos

Geraldo Nunes


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